Premiada atriz italiana se apresenta pela primeira vez no Brasil, em Belo HorizonteA Companhia Pierrot Lunar abre seu espaço para receber o espetáculo A desavergonhada, da premiada atriz italiana Anita Mosca, que faz única apresentação no dia 28 de julho, terça-feira, às 20h, na sede do grupo, à rua Ipiranga, 137, bairro Floresta. A peça, apresentada pela primeira vez no Brasil, é uma livre adaptação do romance homônimo da consagrada escritora palestina Sahar Khalifah, que rendeu à atriz o Prêmio Girulà de Melhor Atriz Protagonista 2007/2008 em Nápoles. Após o espetáculo haverá um debate com a artista e um bar aberto ao público espectador. Os ingressos são limitados, podem ser adquiridos no dia da apresentação, com uma hora de antecedência, e custam R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia – classe artística, estudantes e maiores de 60 anos).A desavergonhadaO espetáculo expõe um delírio de vozes e histórias que se misturam, uma memória polifônica de mulheres, atravessadas pelo conflito que violenta as suas vidas, forçadas a tentativas de adaptação a uma condição de subalteridade e objetivos de rebelião. Diversas línguas e dialetos, do napolitano, hipócrita e crítico, àqueles de outros lugares e de outros países, se seguem e se confundem para contarem, não um fato extremo de violência ou repressão nos confrontos do sexo feminino, mas a fadiga de ser mulher em certos contextos, a ferocidade das pressões sociais e sutis violências psicológicas, a crueldade de obrigações e limitações de alguns ambientes, à procura da maldita e inevitável relação, que existe em certas sociedades, entre ser mulher e a vergonha, a feminilidade e o escândalo.
A especialidade do trabalho de Anita Mosca é uma “dramaturgia de raiz ou de origem”, terminologia que se refere ao fenômeno da diversidade de dialetos que há na Itália. Pode-se encontrar diferentes linguagens em distintas cidades italianas. Grandes dramaturgos desse país, como Luigi Pirandello, Eduardo de Filippo, Dario Fo e Mimmo Cuticchio, pesquisaram seus dialetos para alcançar uma linguagem teatral mais perto da realidade do espectador, das pessoas comuns, aquilo que pode acontecer na vida de homens e mulheres.
Dessa forma, ao buscar as mesmas matrizes dessa pesquisa, Anita Mosca deparou-se com muitos aspectos similares na cultura de outros países mediterrâneos, como a Palestina. O trabalho sobre A desavergonhada, teve início com a leitura do romance de Sahar Khalifah, que a levou a uma identificação com sua própria infância e adolescência.
Em cada lugar do Mediterrâneo, há um violento preconceito sexual contra as mulheres, que são obrigadas a se manterem “tranquilas”, tamanha opressão. A apresentação do espetáculo no Brasil, para a atriz, tem uma motivação forte: perceber como é a situação da mulher em nosso país e em que medida se assemelha à Itália e à Palestina.
Quanto à linguagem cênica, o trabalho de Anita Mosca configura-se pela convergência de distintas expressividades: a palavra, a imagem, o movimento, a pintura, o sonho e a relação entre o ator e objeto. Em A desavergonhada, buscou um equilíbrio entre elas. Entretanto, o mais significativo em sua pesquisa é a motivação oferecida pelo espetáculo. “Uma peça tem que ser necessária, sempre”, afirma. “A realização é um processo criativo espontâneo e constantemente novo, mesmo na sala de ensaio”.
Serviço O QUE: A desavergonhada QUANDO: (Única apresentação) - 28 de julho, terça-feira, às 20h. Haverá debate após a apresentação. ONDE: Espaço Aberto Pierrot Lunar (Rua Ipiranga, 137, Floresta) QUANTO: Ingressos limitados R$10 (inteira) e R$5 (meia – classe artística, estudantes e maiores de 60 anos).Crítica da imprensaLa republica, Giulio Baffi“…Anita Mosca, que readaptou para o teatro A desavergonhada de Sahar Khalifah, colocando-a em um território do nosso Sul, dilatou a breve estória procurando inesperáveis espaços interiores, dimensões de inquietude universal, imprevistas invenções visionárias. Assim a família que oprime, o pai que ignora a linguagem da filha, a mãe que vive a sua vida reprimida e infeliz procurando um espaço de amor que foi sempre negado, os sonhos infantis e a dor possuem o corpo e a voz de Anita Mosca...”
Medinapoli, Manuela Sicurezza“Com uma serie di transfert Anita consegue materializar no seu corpo de mulher, a dor de mil outras mulheres, distantes e próximas no tempo e no espaço. A cena é o seu próprio corpo e é nele que se alternam as personagens... Textos ricos de lugares comuns e ditos populares que caracterizam a tradição machista e injusta não somente do Sul da Itália, mas de todo o mediterrâneo. Meios reforçados de uma forte e sugestiva interpretação que dá voz a todas as mulheres que, no mundo e na historia, foram privadas da liberdade, da dignidade individual e do respeito digno de cada ser humano.”
OltreCultura, Imma Colella“Impossível durante toda a duração da performance, destacar a visão do corpo magnético, um único corpo com o qual, com força e energia que não se podem impedir , se lançam sobre a cena as personagens do drama Mudhakkirat imrah ghair waqi’iyah. Pai, mãe, filha, marido, amigas, vizinhos e com todo este contexto social que, da Palestina dos anos ’60, se alargou para uma realidade feminina atual e universal, encontrando apoio momentâneo em um contexto familiar napolitano... Uma cenografia feita de luzes e sombras, de branco e preto, com músicas e ritmos sedutores, por vezes urgentes, ou estridentes a sublinhar e tornar aguda cada emoção transmitida por uma maravilhosa e poliédrica atriz.”
XIV Edição Prêmio Girulà - Melhor Atriz Protagonista“Atriz forte e sensível consegue dar voz, em uma rica intriga de línguas à dor das mulheres, muito freqüentemente reprimidas e humilhadas por uma cultura hegemônica, também feminina”
Anita MoscaNatural de Nápoles, Itália, é atriz, diretora e dramaturga, fundadora e integrante do grupo Alqantara, cujo objetivo é a divulgação e promoção da cultura árabe, com especial atenção para a Palestina. Além das atividades no âmbito teatral, escreve e dirige curtas-metragem. A desavergonhada já circulou por diversos cidades como Roma, Firenze, Veneza e Amã (Jordânia). Participou de vários trabalhos em seu país com artistas e grupos renomados, como o Teatro Proskenion de Scilla, Odin Teatret de Dinamarca e Theatre Al Kasaba di Ramallah.
Sahar KhalifahÉ considerada a principal romancista palestina, amplamente elogiada por ter sido a primeira escritora feminista de seu país, e por seu estilo sensível, econômico e lúcido. Ela é a mais traduzida autora palestina após Mahmoud Darwish. Sua fama se estende para além das fronteiras palestinas e árabes, tendo sido traduzida em diversas línguas. Khalifah nasceu em 1941 na cidade de Nablus. Seu casamento, realizado em 1959 após sua graduação, terminou em divórcio 13 anos depois. Tem duas filhas e vive entre Amã, na Jordânia, e Nablus. A autora começou a escrever logo após a invasão israelita, em 1967, da Faixa de Gaza e na Cisjordânia, e publicou seu primeiro romance em 1974. Completou seus estudos secundários em 1959 em Amã, no Colégio Rosário. Após o divórcio, deu início a uma nova vida, e finalizou seus estudos em literatura inglesa na Universidade de Bir Zeit. Em 1980, conquistou uma bolsa Fulbright para estudar nos Estados Unidos e obteve um mestrado em literatura inglesa na Universidade de Chapel Hill, na Carolina do Norte. Ela também completou um doutorado em estudos sobre as mulheres e literatura americana na Iowa University, em 1988. Sahar retornou à Palestina em 1988, e fundou o Centro de Assuntos da Mulher em Nablus, que abriu uma sucursal na Cidade de Gaza, em 1991, e em Amã, em 1994.
Ficha técnica do espetáculoLivre adaptação do homônimo romance di Sahar Khalifah
Direção, dramaturgia e atuação de Anita Mosca
Participação especial: Denilson Silva(bailarino, coreógrafo e pesquisador de Tango)
Supervisão do projeto musical de BkBostik
Obras de pintura de Ciro Di Matteo,
Foto de Davide Stasino
Figurino de Isabella Starace
Iluminação de Ciro di Matteo.
Tradução de Roberta Trajano.
Agradecimento especial a Omar Suleiman, Ed Andrade, Juarez Dias e Dimir Viana
Ficha Técnica – Produção LocalTradução: Roberta Trajano
Montagem de luz: Bruno Cerezoli
Operação de luz: Nando Motta
Operação de som: Luiz Rocha
Mediador do Debate: Dimir Viana (Mestrando em Teatro Educação e Teatro do Oprimido)
Apoio Cultural e Produção Técnica: Cia Pierrot Lunar
Realização e Produção Executiva: Arethusa Iemini e Nyvea Karam
Contatos para entrevistasAnita 9344-5137 ou Aretuza 9901-2207
InformaçõesLéo Quintão 31 9970-6521 ou www.espacoabertopierrotlunar.blogspot.com